Instituto Brasileiro de Museus
Museu Histórico NacionalMistérios e poesia de Maria Cambinda

“Maria Cambinda pertencia à Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos de Ouro Preto (INSRPOP). Foi doada, em 1928, pelo juiz Odorico Neves a Gustavo Barroso, diretor do Museu Histórico Nacional à época, enquanto este inspecionava obras na referida igreja, integrando-a ao acervo do MHN. Naquele período, a Irmandade já era dirigida pela comunidade local, não mais pelos homens negros.
Em duas cartas de Neves a Barroso, Maria Cambinda é nomeada como boneca. Entretanto,
nunca mais apareceu nos escritos do Museu. Foi invisibilizada na então Sala Antônio Prado Júnior, ao ser exposta no chão, sem denominação específica, conforme fotografia que ilustra uma reportagem de Barroso.
Como ‘uma máscara de madeira pintada, representando uma preta de busto nu, que os
negros da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário, em Ouro Preto, usavam durante as
procissões religiosas’, Maria Cambinda foi descrita no guia de turismo Rio de Janeiro e
seus arredores, de 1939, na menção à Sala Luís Gama, antiga Antônio Prado Júnior. Já Mário Barata escreveu uma matéria sobre Arte Negra na Revista da Semana de 17/05/1941, na
qual comenta: ‘No [MHN] há uma curiosíssima máscara de madeira dos negros da Irmandade
do Rosário de Ouro Preto, […] levada nas procissões. O rosto de mulher, esculpido em arte
puramente negra, representa Maria Cambinda […] as máscaras sempre tiveram grande importância na África, sendo utilizadas não somente em festas religiosas como em cerimônias guerreiras, tribais e outras. […] interessantíssimos o nariz e o penteado’.
Mas qual seria a história de Maria Cambinda antes de seu aprisionamento na sacristia da
igreja e posterior ingresso no MHN? (…)” Leia o artigo completo, de autoria de Aline Montenegro Magalhães e Solange Palazzi, no livro “Histórias do Brasil: 100 objetos”, disponível gratuitamente em pdf.
“Ainda há muito a se pesquisar e conhecer sobre os mistérios e a poesia de Maria Cambinda”.
